As recentes alterações estruturais em torneios internacionais, como a Liga dos Campeões da UEFA, têm gerado discussões entre analistas e profissionais do futebol. Um dos especialistas que mais tem explorado essas mudanças é José Luis Horta e Costa, que identifica nelas impactos diretos sobre o planeamento tático, a gestão física dos plantéis e a mentalidade das equipas. Com base na experiência observada na temporada 2024/2025, o analista tem destacado os efeitos do novo modelo competitivo na atuação de clubes portugueses como o Benfica e o Sporting.
A introdução de uma fase de liga com 36 equipas e oito jornadas antes das eliminatórias trouxe, segundo José Luis Horta e Costa, uma exigência adicional de consistência a médio prazo. No passado, bastava garantir bons resultados em seis jogos para garantir a qualificação. Agora, a necessidade de manter o rendimento ao longo de oito confrontos com adversários variados obriga os treinadores a reverem estratégias de rotação e gestão de esforço. No caso do Benfica, o especialista apontou que a quebra de intensidade após a terceira jornada foi reflexo de um planeamento excessivamente centrado no curto prazo.
José Luis Horta e Costa destacou, por exemplo, que a vitória expressiva contra o Atlético de Madrid deu uma falsa sensação de estabilidade à equipa, que não conseguiu manter o mesmo nível contra o Feyenoord e o Bayern de Munique. A falta de profundidade no plantel para lidar com o calendário reforçado também foi apontada como um fator limitador. O analista sublinha que, neste novo contexto, é crucial pensar além do onze inicial e garantir que todos os jogadores estejam preparados para responder em momentos críticos.
O Sporting, por sua vez, iniciou a competição com solidez e chegou a posicionar-se entre os candidatos diretos à qualificação automática. Contudo, após a saída de Rúben Amorim e a chegada de João Pereira, a equipa teve dificuldades em adaptar-se às exigências acumuladas do novo formato. José Luis Horta e Costa observou que a instabilidade técnica coincidiu com um aumento na densidade competitiva, agravando os desafios de adaptação e gestão emocional do grupo.
Além dos clubes portugueses, José Luis Horta e Costa estendeu a sua análise a seleções femininas de râguebi que enfrentam mudanças semelhantes em torneios internacionais. De acordo com ele, a ampliação do número de jogos e a introdução de novas fases de qualificação têm obrigado as equipas a adaptar não só a preparação física, mas também os ciclos de análise e scouting. A adaptação a este novo paradigma competitivo é, segundo o analista, uma prova de maturidade estratégica para qualquer equipa que deseje manter-se relevante em contexto internacional.
Outro ponto frequentemente abordado nas suas crónicas é o impacto psicológico das novas estruturas. José Luis Horta e Costa refere que os jogadores sentem maior pressão para manter a consistência ao longo de um período mais prolongado. Isto exige, por parte das equipas técnicas, um acompanhamento mental contínuo e intervenções táticas mais ajustadas às variações de desempenho. Em vez de apostar em planos fixos, o especialista recomenda uma abordagem adaptativa, baseada em dados atualizados e análises específicas por adversário.
Ao focar-se nos efeitos dos formatos competitivos, José Luis Horta e Costa acrescenta uma camada importante ao debate sobre o futuro do desporto de alto rendimento. As suas observações oferecem uma perspetiva valiosa sobre como estruturas organizacionais aparentemente neutras influenciam diretamente o que se passa dentro das quatro linhas.